Entramos em contato com a Ana Carolina Barreto pelo Twitter. Foi lá que vimos primeiro seu projeto Codando Juntas e achamos além de super válido para a área de desenvolvimento e tecnologia voltado para mulheres, totalmente importante para falar no LadiesOn. Ela respondeu prontamente, e aceitou responder algumas questões e falar sobre esse projeto incrível 🙂
Olá, me chamo Ana Carolina Barreto, Fundadora do Codando Juntas, iOS Developer e UX Designer na Apple Developer Academy. Sou viciada em curso online, pizza de brócolis com bacon, codificação criativa e arte de rua. Esses tempos encontrei o conceito de profissional em “T” e me identifico muito: conhecimento abrangente em várias áreas e aprofundado em pelo menos uma delas. Eu T-odinha! Twitter LinkedIn

Está na área há quanto tempo? Fale um pouco sobre sua história e carreira.

 

Eu sempre fui muito curiosa, gostava de futucar as coisas, desmontar e ver como era por dentro. Desde os meus 14 anos eu ficava pelo tumblr criando e alterando temas. Lembro que mais ou menos nessa época, eu comprei uma cartilha bem básica sobre hardware, que falava sobre componentes e sobre a estrutura do computador e isso me colocou no caminho de Engenharia da Computação. Como sempre fui uma pessoa multidisciplinar, o curso de Sistemas de Informação da UTFPR me chamou mais atenção na hora do vestibular, por ter todo o currículo de administração e gestão também. Comecei a cursar no final de 2012 e não demorou muito pra eu perceber que não era nada do que eu esperava. A única parte forte do curso era a trilha de programação. Tive professores incríveis, que me ensinaram muito, mas também tive professores horríveis que achavam legal fazer terror psicológico com a matéria. Isso acabou com o ambiente de universidade pra mim. Enquanto um professor me dizia que eu era incrível, outro me dizia que era melhor eu nem começar a matéria dele porque era difícil demais. Além disso, toda a parte mais generalista – que eu tanto queria – era mal organizada, quase que em segundo plano. Apesar de ser apaixonada pela parte técnica, eu precisava de algo mais voltado para seres humanos e processos, e não tanto para o compilador. Obviamente, na época, eu não tive essa clareza. Sempre quis trabalhar com programação e não via outra possibilidade além de continuar ali. Até lutei por alguns semestres, mas eventualmente acabei desistindo da faculdade. Foi um momento muito difícil, hoje eu vejo que foi a decisão certa. A grade do curso já não é mais a mesma, mas não me sinto tentada a voltar. Nessa mesma época, ao sair da faculdade, eu comecei a estudar mais sobre marketing e design, cheguei até a trabalhar um pouco com isso, mas, aí entrava a minha questão principal: eu queria ser programadora. Não queria trabalhar ou voltar para faculdade para estudar algo que não tivesse nada a ver com meu objetivo. Nessa mesma época, eu conheci a Apple Developer Academy. A Academy é um programa para treinar desenvolvedores iOS no Brasil e está me proporcionando desenvolver esse projeto incrível. Hoje, como Desenvolvedora e Embaixadora da Apple Developer Academy em Curitiba e (orgulhosa) fundadora do Codando Juntas, consigo conciliar todas as coisas que eu amo fazer: programar e trabalhar pensando nas necessidades reais de outras pessoas.

Como surgiu o projeto Codando Juntas?

 

Desde o começo do ano estou trabalhando com projetos voltados para inserir mulheres na área de programação, gerenciando o grupo Mulheres Aprendendo Programação no Facebook, que já tem mais de 1.500 integrantes. Paralelamente, em junho comecei a fazer o desafio “100 dias de código”, que é exatamente isso: programar por 100 dias. O meu objetivo com o desafio era voltar a desenvolver para Web, então recomecei o curso do freeCodeCamp. Quando estava acabando a primeira parte do curso e me preparando para estudar JavaScript, eu tweetei perguntando se mais alguém tinha interesse em fazer comigo. Muita gente me procurou feliz com a ideia de ter um “clubinho de curso online”. E foi assim que o Codando Juntas nasceu.

Como repercutiu entre as mulheres o projeto? Esperava essa adesão?

 

A resposta foi apenas INCRÍVEL. Eu esperava fazer um grupo com 5-10 mulheres, no máximo, mas já são pelo menos 100 participando ou se preparando para começar. Chorei tantas vezes de FELICIDADE com várias pessoas incríveis vindo me falar que tinham finalmente criado coragem para estudar programação. Toda vez que eu vejo alguém usando a #CodandoJuntas… Ai, o coração parece que vai explodir!

Fale um pouco sobre a área de desenvolvimento feminino hoje em dia ( críticas e como vê o mercado para as mulheres)

 

Existem muitas questões envolvidas com a presença da mulher desenvolvedora na área. Na minha opinião, o mais urgente de se corrigir é a capacitação das mulheres e o acesso a informação. Muitas já querem, buscam sozinhas e tentam fazer, mas não encontram lugares em que se sentem bem vindas. O objetivo atual do Codando Juntas é justamente tornar esse processo de aprendizado cada vez mais acessível e seguro e dar confiança a essas mulheres e ao trabalho delas. Isso, claro, é só uma pedaço da equação.

O ecossistema de Computação como um todo é tóxico – obviamente, estou generalizando aqui, mas essa é a realidade que vivemos há algum tempo. Felizmente, muitas empresas já entenderam que diversidade é importante, mas elas ainda não sabem como fazer isso acontecer. O que eu mais vejo é empresa fazendo propaganda sobre inclusão, mas a equipe de desenvolvimento tem só uma mulher, quando tem. Ou, pior, a empresa quer contratar mulheres, mas abafa casos de machismo e não dá treinamento sobre isso.

Incluir não é só treinar tecnicamente a pessoa que está “por fora”, é tornar o ambiente seguro e pensado para a realidade de quem quiser estar nele e não so de uma parcela que – no caso da área – foi quem criou as “regras”.

Quais linguagens de programação estarão neste projeto? São linguagens de front ou backend?

 

No momento, tudo está voltado para Front-End Web (HTML, CSS, JavaScript), por serem linguagens de fácil acesso. Mas o plano é expandir ao infinito. A ideia do Codando Juntas é ser ponto de encontro online para mulheres que querem estudar programação.

Como estruturou o projeto?

 

O projeto ainda está sendo estruturado em conjunto com mulheres que se voluntariaram porque acreditam na necessidade dele. Já temos algumas prioridades elencadas, porém toda e qualquer sugestão é muito bem vinda! Todas as que desejarem participar da organização devem enviar um e-mail para [email protected].

Existe um processo de seleção após o interesse das participantes no projeto?

 

Não, a ideia é que todo mundo que queira participar consiga, no seu tempo, no seu ritmo. Existe o formulário de cadastro de participantes, mas é só para entendermos quem somos como grupo no momento e para conseguirmos gerar conteúdo relevante para nós mesmas. Saiba mais aqui.

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Empreendedora Digital, trabalho há mais de 10 anos no mercado digital principalmente com e-commerce para pequenos empreendedores.
Fundadora da Alyma, atendo pequenos empreendedores e lojistas, desenvolvendo sites, lojas virtuais, e também ofereço suporte e consultoria para clientes que desejam iniciar seu negócio online tenham uma base para alavancar seu negócio.
Estou muito feliz em poder participar desse projeto com mulheres competentes, atuantes e que já mudam o mercado digital com seu trabalho.

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