Tem dias que a gente desequilibra, tropeça e cai. Tenta reequilibrar e, para nossa surpresa, caímos novamente. Esse esforço repetitivo, muitas vezes é desanimador.

Com a prática do Yoga, eu aprendi a sempre tentar mais uma vez. Mesmo que eu caísse novamente, mesmo que isso significasse cair com o rosto direto no chão. Afinal, eu sempre fui muito estabanada e desastrada.

Essas duas palavras sempre estiveram presentes nos meus relatos. Em diversas vezes, as usava para justificar algum ocorrido. Como, por exemplo, os inúmeros roxos que aparecem no meu corpo quando estou correndo de um lado para o outro e não vejo que existe um obstáculo à minha frente.

Até pouco tempo atrás eu assumia que sou uma pessoa completamente atrapalhada. Mais que isso, que sou uma pessoa com dificuldades enormes para levar uma vida cotidiana. As marcas de pontos e machucados não me deixam mentir em relação a isso.

Eu simplesmente não consigo ficar parada. Sempre faço várias coisas ao mesmo tempo e, com isso, acabo me comprometendo com mais do que sou humanamente capaz de fazer.

Correr de um compromisso a outro faz parte da minha rotina. Assim como o fato de chegar diversas vezes atrasada ou esquecer aniversários de pessoas muito importantes para mim.

Ainda durante a infância, meu pediatra me diagnosticou como uma criança hiperativa. Ele explicou a minha mãe que ela deveria me ensinar a fazer uma coisa de cada vez.

Ela tentou. Ela sentava ao meu lado para que eu montasse um quebra-cabeça por vez. Também determinava o tempo que eu deveria focar apenas em andar de bicicleta ou que eu deveria assistir os filmes infantis por completo, do início ao fim.

Ainda hoje, acho que minha concentração é um pouco desregulada. Ou estou completamente imersa em algo (geralmente em coisas que gosto muito) ou não consigo prestar atenção nem por um minuto à uma mesma coisa.

Eu falo pelos cotovelos e mudo de um assunto a outro sem parar. Às vezes meto os pés pelas mãos a ponto de ser engraçado. Assim como já fui invadida por uma brutal sensação de frustração comigo mesma. Pelo simples fato de não conseguir me concentrar em uma sequência simples de movimentos na dança.

Ser hiperativa não significa apenas que eu não consiga ficar quieta ou que eu não consiga prestar atenção em algo. O que realmente acontece é que eu tenho a sensação de estar o tempo todo ligada no 220 ou de estar andando em uma montanha-russa sem fim. Por diversas vezes, me perguntei o que havia de errado comigo…

Há dois anos, a prática do Yoga me proporcionou uma paz interior que vem me ajudando a controlar os meus impulsos. Muito além das posturas, respiração e meditação, o Yoga também significou para mim um mergulho no autoconhecimento e na autoaceitação. Hoje, por exemplo, já consigo escutar todas as palavras quando as pessoas falam comigo e não apenas uma de cada dez.

Nem tudo são flores, mas sempre busco encarar a minha inquietude com bom humor. Por enquanto, a sensação de ter encontrado um caminho para me sentir bem comigo mesma não tem preço. E, com isso, também estou aprendendo a perceber algumas coisas boas em relação a ela: com tanta energia circulando em mim, sou uma fonte inesgotável de ideias e, acima de tudo, de sonhos!

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Jornalista por formação, publicitária na raça. Sou apaixonada por marketing digital, área em que atuo desde 2012 e me especializei pela ESPM/RJ. O foco dos meus estudos ultimamente está em estratégia, planejamento, conteúdo e performance em mídia online.
Mineira (born to be UAI). Aspirante a atleta e viciada em corrida de rua. Viajante/mochileira. Observa o mundo com olhos curiosos e mergulha em diversos universos através de séries, livros, games e fotografias.

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