Coube a mim fazer o texto do LadiesOn para o Dia Internacional da Mulher.

Eu, mãe, empreendedora, dona de casa e “mil e uma utilidades” não soube o que deveria escrever em um projeto que visa dar voz às mulheres que trabalham com comunicação.

E doeu.

Doeu porque a data é para isso mesmo, para doer. Para pensarmos na posição que a mulher ocupa no mundo dos negócios, eu, que já perdi emprego por ser mulher. Para pensarmos sobre a tripla jornada de trabalho, eu, mãe de dois filhos. Para pensarmos sobre a maternidade compulsória, eu, que engravidei na adolescência. Pensarmos sobre as dificuldades de conciliar estudos e afazeres domésticos, eu, que concluí bem tarde a graduação.

Doeu porque, apesar do vivido, eu sou privilegiada por ter rede de apoio, alguma estrutura financeira, marido companheiro, pais presentes, plano de saúde, filhos com a barriga cheia e embaixo de um teto.

A imagem mostra três pessoas sorrindo, da esquerda para a direita, um adolescente de óculos, no centro uma criança pequena, à direita uma mulher.

Alec, Ícaro e eu

Doeu porque, trabalhando com comunicação, ainda há dificuldade em passar conceitos importantes ao público e aos clientes. Feminicídio? Carga mental? Tripla jornada? – “aah, vamos fazer post parabenizando as mulheres.

E ainda dói. Porque, apesar de o LadiesOn ter a missão de reivindicar nosso espaço na comunicação, não conseguimos dar voz a maioria das mulheres da sociedade. Mas podemos levantar a reflexão: o que você faz por nós, no dia a dia, de verdade?

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Formada em Gestão Empresarial com MBA em Marketing Digital e Redes Sociais, divido meu dia a dia entre dois filhos, pequenas empresas, bandas de heavy metal, um mundo neurodivergente, leitura e games.

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