Esse é um daqueles textos que eu deveria ter entregue para o meu eu de alguns meses atrás. Todas nós passamos por uma fase em que um contrato ou até mesmo um projeto nos tiram do nosso caminho. Não é o que queremos, mas é o que precisamos para perceber o que verdadeiramente importa.

Conversas intermináveis no telefone. Trocas de mensagens emails que parecem não ter fim. Ou emails que nunca são lidos, mas que você precisa da resposta para ontem. Ah, e ontem foi o deadline para aquela outra tarefa que você nem sequer começou a fazer porque teve que gastar horas explicando que não é a sua função. E ainda tem uma outra coisa que te pedem, mas você explica que as coisas não acontecem de uma hora para outra.

Você termina o dia e então, a única coisa útil que fez durante essas horas foi dar “bom dia” para algumas pessoas. Sente que o restante das horas foram um completo desperdício. A frustração bate porque existem mil tarefas pendentes e nenhuma delas perto de terminar. Adivinha o saldo do dia? É, algumas outras tarefas “urgente urgentíssimas” entraram na lista e você passa a noite inteira se perguntando do porquê delas serem tão importante assim e você não tem poder nenhum para mudar isso.

E para o dia seguinte você já sabe: tudo vai se repetir, por mais que você gaste energia para acionar o seu próprio “Departamento de Vai Dar Ruim” e alertar as outras pessoas que o caminho não é bem pelo qual eles estão indo.

Sua motivação para acordar já foi pro saco antes mesmo de você ir dormir, isso quando consegue. A sua mente então ativa o “modo lembrete”: todas as tarefas que você deveria ter feito no dia então aparecem. Isso inclui aquela conta que você mais uma vez deixou de pagar porque simplesmente esqueceu.

Final de semana está na porta e a única coisa que você consegue pensar é no quanto você pode colocar o sono em dia. Mas, adivinha? Isso não vai acontecer, claro. Você tem que colocar o trabalho em dia: foram tantas coisas pequenas que consumiram seu tempo que você está até o talo de coisas (realmente úteis) para fazer. Sair com os amigos, terminar de ler aquele livro que você começou (e nem lembra mais onde parou) são algumas das coisas que você não vê há tempos. 

Você vale muito mais que qualquer contrato

A sua e a minha saúde mental valem muito mais do que qualquer contrato ou projeto. Assim como o seu tempo de conversas jogadas fora com os amigos e as horas de “ócio coletivo”. Ser produtivo não significa estar com as 24 horas do dia trabalhando. Mas você pode usar algumas dessas horas para trabalhar para você: leia parte de um livro, jogue conversa fora, tenha um hobby.

Às vezes passamos tanto tempo com a cabeça imersa em “pagar contas”, que esquecemos de pagar as contas da saúde. E uma outra coisa que pode ser considerada balela, é o tal do propósito. Ou você tem um muito forte ou vai deixar a vida te consumir. Propósito tem a ver com o que é forte para você; não tem essa de “quanto mais nobre, melhor”. Esqueça isso, por favor.

Eu já estive num ciclo que parecia não ter fim. Para me ajudar a não cair nele novamente, comecei a adotar alguns mini hábitos. Não são hábitos completos, mas apenas parte deles (por isso o “mini”).

O que acontece é que você vai enganar seu cérebro: ao invés de colocar hábitos gigantescos e que você vai demorar muito para se acostumar (e a frustração aparecer), você coloca pelo menos ⅓ deles e vai aumentando. Pequenas ações certas é melhor que ação nenhuma feita. Já explico.

A ideia aqui é você ganhar pequenas doses de motivação. Vamos imaginar que o seu mini hábito seja correr alguns quilômetros todos os dias. Se você for uma pessoa sedentária, dificilmente você vai conseguir isso de primeira, e então o desânimo e a frustração vão bater à sua porta.

Então, você coloca uma meta tão absurdamente ridícula que será impossível não conseguir fazê-la, mesmo naqueles dias em que a motivação é zero e a sua autoestima estiver no nível abaixo do solo.

Nisso, você já começa a se preocupar com você e menos com as outras pessoas. Ser egoísta, de vez em quando, é bom.

Um outro ponto é você aprender com essas fases. Não busque justificativas, do tipo “por que eu fiz isso”, mas se pergunte “o que eu poderia ter feito de diferente para…”. Reavalie as decisões que você tomou antes de chegar ao ponto que chegou. E então, mude. Lembre-se que não existe decisão errada, existe aprendizado em cada momento: você não passou pelo o que passou porque queria, mas porque precisava.

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Jornalista por formação, se apaixonou também pelo marketing digital.
É fundadora da Vinte Comunicação e gerente de Marketing e Comunicação do Tritões FA.
É conteudista no Ladies On.
Ama café, violão, judô e amigos de 4 patas.

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