RPG de mesa: fantasia e realidade se encontram

RPG de mesa: fantasia e realidade se encontram

Jogar RPG de mesa não é apenas reunir os amigos e rolar uns dados. É acima de tudo, aprender a lidar com situações e encarar os problemas, mesmo quando as coisas parecem que vão desmoronar em sua cabeça ou qualquer movimento seja questão de vida ou morte.

Ok, na maioria das vezes realmente é questão de vida ou morte: você está na frente de um dragão, tem alguns segundos para pensar e apenas poucas ações para fazer. E “não morrer” está na sua lista de desejos para o encontro, junto com “ajudar seus amigos de missão”, “derrotar o dragão”, “ganhar experiência suficiente para passar de nível”, “ganhar peças de ouro para comprar aquele item maneiro com o ferreiro”. Se essa não é a melhor metáfora para a vida que levamos fora das dungeons, mais conhecida como vida “real”, ainda não me mostraram uma melhor. Não ficar doente, ter vida social, resolver situações monstruosas (desculpe o trocadilho, foi mais forte do que eu rs), se manter atualizada sobre o mercado e ainda pagar os boletos (em dia, que fique claro!).

Algumas pessoas me perguntam como começar a jogar RPG. No geral, é bem simples. Na minha opinião, se você sabe como viver, você já sabe jogar RPG.

Geral

Imagine comigo: você e seus amigos se reúnem em um determinado dia da semana. A primeira missão foi encontrar um espaço na agenda onde todos possam disponibilizar algumas horinhas do dia para jogar. Passando dessa fase, vamos para a próxima etapa.

A tradução do RPG é “jogo de interpretação de papéis”. Você e seus amigos criam personagens e devem interpretá-los ao longo do jogo. A cada encontro, sem duração mínima, os participantes vivenciam histórias, sejam criadas pelo mestre (explicarei logo abaixo) ou extraídas de livros com aventuras já prontas. Essa história pode durar meses ou até mesmo anos, isso dependerá do envolvimento de cada participante.

As regras são baseadas em livros, e, segundo os próprios autores, são totalmente adaptáveis e não precisam ser seguidas à risca. Existem várias editoras e vários sistemas, possuindo assim diferentes regras para jogar (e algumas pessoas achando que era só rolar uns dados com pessoas fantasiadas… aham!)

O narrador

Existe um mundo criado pelo mestre, jogador que narra todos os acontecimentos e detentor de todo o poder, capaz de fazer cair meteoros nas cabeças de jogadores que queiram discutir regras no meio da missão (isso quase aconteceu num dos grupos que participo rs). Aproveitando, aqui vai minha homenagem à todos os mestres que se esforçam para criar um universo incrível e apaixonante (acho que posso ganhar alguns pontos de experiência para os meus personagens depois dessa, né? <3). Existem várias ambientações para o RPG de mesa, que vão desde cenários medievais a histórias vampirescas. A criatividade é o limite.

Criação e co-criação

Os mestres criam o contexto da aventura e planejam o início, meio e fim. Apesar de todos os monstros, pessoas e lugares que os jogadores deverão encontrar pelo caminho, já sejam pensados previamente, existe a co-criação por parte dos jogadores: e se todos resolverem ficar até mais tarde na taberna enquanto deveriam combater a criatura que está à solta pela cidade? Improvisos, nessas horas, são essenciais. Nem tudo sai como o planejado e você tem que saber lidar com isso.

Os jogadores

Você pode ser quem você quiser e agir como você quiser, desde que suas ações sejam condizentes com o que o seu personagem faria. Trazendo para o marketing digital, você tem uma persona em mãos e o que você precisa fazer é pensar, falar e agir como ela. Aqui as pessoas começam a aprender um pouco do verdadeiro significado de empatia: só porque um elfo odeia orcs, não significa que todas as criaturas irão odiar. É literalmente você pensar como o outro faria: entre enfrentar um exército de goblins e conversar com o general deles, o que você acha que um anão bárbaro com tendência caótica, faria?

O trabalho em equipe

Uma das coisas mais sensacionais do RPG de mesa é aprender a unir forças (literalmente). Você faz parte de um grupo de aventureiros, todos com habilidades diferentes das suas e algumas até complementares. A ideia não é ser melhor do que um ou outro, mas ter habilidades que auxiliem o grupo em determinadas missões. O ego, no contexto da interpretação, também faz parte: personagens com “perfil forte”, estão presentes em qualquer grupo e saber lidar com isso é importante para que não briguem entre si.

Conflitos

Mas nem sempre as coisas terminam bem…

Jack, Hau, Diesa, Bowen, Bread e Gaaki acabam de enfrentar dois grandes inimigos na floresta de XX. Diesa ainda está em seu “modo fúria”, habilidade de bárbaros, e ataca, com sua espada longa, o humano guerreiro Bowen, que está bem próximo.

Hau estava fazendo estacas com os troncos das árvores que foram quebrados durante a batalha. Ele estava extremamente focado para perceber algo. Jack, já cansado da batalha, estava sentado na grama e tocando seu alaúde quando viu o ataque de Diesa. “Quero ficar distante disso aí”, afirma o humano bardo.

Bread, um druida com habilidades questionáveis, tenta lançar uma de suas magias para conter a briga, mas não obtém sucesso: a única coisa que ele conseguiu foi uma falha arcana para a coleção. Ele está próximo de Diesa, as coisas podem ficar um pouco complicadas para ele.

Bowen, um guerreiro com uma armadura de dar inveja, consegue se defender bem do golpe que recebe de Diesa. Ele tenta contra-atacar, mirando na cabeça, e deixando claro que é apenas um golpe de contusão (golpe que não tem a intenção de ferir), mas… Erra o golpe.

Gaaki vê a cena e se aproxima. Como uma samurai, não poderia deixar as coisas tomarem o rumo que está. Porém, o seu lado meio-orc fala mais alto: não é todo dia que um anão surge na sua frente. Ela já está com a katana e wakizashi em mãos.

Diesa percebe a movimentação da meio orc samurai. Dá alguns passos em direção à ela e usa a sua espada longa. O golpe acerta a samurai, mas com um bocado de sorte, não faz tanto estrago na armadura de couro batido.

Gaaki ataca Diesa com a katana e a wakizashi, não levando em consideração que poderia ferir a sua companheira de aventura seriamente. Diesa, assim como Gaaki, já estava bem machucada pela batalha. O azar nos dados estava do lado da anã e ela não consegue se esquivar dos golpes da samurai…

Essa história realmente aconteceu, apenas mudei um detalhe ou outro. Resultado: a jogadora que interpretava Diesa deverá criar outra personagem. A ideia aqui foi mostrar que mesmo dentro de um grupo onde todos deveriam cooperar, brigas surgem. A característica de cada um, bem como saber contornar a situação, pode alterar no final do conflito.

Dá para escrever muita coisa sobre lições que o RPG de mesa traz, mas isso não seria a mesma coisa que vivenciar uma aventura. Por isso, convido você para procurar grupos de RPG em sua região ou até mesmo criar um para jogar online. A maioria dos livros são disponibilizados gratuitamente por alguns autores.

E aí, que tal se aventurar nesse mundo?

 

 

Game também é coisa de marca

Game também é coisa de marca

Se você acha que joguinho é coisa de criança, você está completamente equivocado. Os games representam bem mais do que entretenimento infantil. Segundo dados da Pesquisa Game Brasil (PGB) de 2018, 67,9% dos jogadores brasileiros possuem idade entre 25 e 54 anos.

Nessa mesma pesquisa, perguntou-se aos jogadores de games como eles classificariam algumas marcas. Os critérios estariam entre: “eliminar”, se sentir em “órbita distante”, ser “indiferente”, considerar como do “meu time” e “defender bravamente”. Segundo essa ordem de importância, quanto mais perto da última classificação, maior o envolvimento do consumidor com aquela marca.

No quesito marcas de tênis, por exemplo, a Nike foi vencedora. 40,5% dos entrevistados a colocaram no “seu time” e 36,7% a “defendem bravamente”. As outras marcas avaliadas foram Asics, Mizuno, Adidas, Reebok, Puma, Olympikus, Fila, Timberland, Skechers, New Balance, Converse, Under Armor, Vans e Osklen.

Para um consumidor defender bravamente uma marca é preciso ter um envolvimento emocional profundo, é preciso ter amor e a Nike é uma lovemark. Uma das estratégias utilizadas pela marca para proporcionar experiências únicas aos seus consumidores foi a realização de corridas de rua e posteriormente a criação de uma comunidade batizada como Nike+.

Inicialmente, para fazer parte dessa comunidade, o consumidor precisava comprar um tênis acompanhado de um pequeno transmissor que coletava dados como distância percorrida, ritmo, tempo e gasto calórico. Hoje, ele precisa apenas baixar o aplicativo Nike Running. Dentre as suas funcionalidades, existem os desafios de distâncias semanais e mensais para manter o corredor motivado, os troféus e medalhas para celebrar as conquistas e o ranking para competir com os amigos.

Nós gostamos de competir, atingir objetivos, quebrar recordes e receber recompensas. Quando algo nos proporciona isso, nós nos sentimos vencedores e isso nos estimula a continuar atrás de novos desafios semelhantes. A Nike entendeu tão bem essa lógica e o seu consumidor que só a comunidade Nike+ Run no Facebook conta com mais de 17 milhões de usuários.

Essa estratégia de marketing utilizada pela Nike, alinha conceitos e mecânicas utilizadas em games. Conhecida como gamification ou gamificação, ela tem como objetivo principal engajar e motivar os consumidores com a marca. Entender os hábitos do seu consumidor pode ajudar a criar uma estratégia gamificada e aumentar o vínculo emocional com a sua marca. Fazer um bom estudo da sua persona é essencial para isso. Nesse artigo, você encontra 4 ferramentas baseadas em dados para conhecer melhor sua persona.

Você já desenvolveu ou participou de alguma ação gamificada? Conta pra gente nos comentários!

 

 

 

 

 

Como o Diablo entrou na minha vida.

Como o Diablo entrou na minha vida.

Nunca fui uma criança de brincadeiras internas. Sim, sempre gostei de vídeo games, inclusive ganhei o primeiro de minha mãe, uma apaixonada por jogos de luta. O Super Nintendo fez parte da minha infância com jogos como Super Mario World, Mortal Kombat, Fifa SuperStar Soccer e SimCity – este último jogo até os dias atuais. Ainda assim, existia um balanço entre brincadeiras eletrônicas e as de rua, onde eu preferia estar.

Os anos passaram, mudanças ocorreram, e, com 14 anos me vi morando em outra cidade, estudando em outro colégio, onde eu não conhecia ninguém. Estava no primeiro ano do ensino médio, e a rebeldia já tomava conta de mim. Nos intervalos do dia de aula, eu sorrateiramente fugia do colégio e ia para uma lan house, jogar Counter-Strike, o famoso CS. Até que em um dia qualquer, sentei numa máquina que tinha em sua área de trabalho um jogo chamado Diablo II.

Cliquei para conhecer, e vi que Diablo II – Lord of Destruction, era o tipo de jogo para mim. Longo, cheio de atos, magia e com uma história que precisava ser compreendida para facilitar a sua jogabilidade. Criei a personagem que me acompanharia por todos esses anos. A feiticeira Lara.
No Diablo 2 – LoD, temos a disposição sete personagens para escolha, dois personagens femininos. A assassina e a feiticeira. No mundo dos jogadores, a feiticeira é tida como a personagem mais fraca. Mas, admito que me identifiquei com ela desde o começo e, pasmem, em todos estes anos, nunca joguei com outro personagem.

A história do jogo diz respeito a sede de vingança de Diablo (sim, ele próprio, o tinhoso), que derrotado na primeira versão do jogo, tenta conquistar a alma do herói que o derrotou. Nesse jogo, o cão, que recebe o título de Senhor do Medo, ainda conta com a ajuda dos parentes – Mephisto, o Senhor do Ódio, seu irmão mais velho e Baal, O Senhor da Destruição, o irmão mais novo. O herói (neste caso, o jogador) precisará passar por estes e outros ‘bichinhos’.

A história do jogo é enorme, e resumidamente, ele é formado por três níveis de dificuldade, cada um com cinco atos. E, para ‘zerar’ este jogo, você deverá chegar ao último nível de dificuldade e matar Baal, no último ato. Como qualquer jogo com base no RPG, você precisa de energia, mana, pontos para força, vida, destreza, defesa e outros. Os itens que compõe o seu armamento e vestuário também carregam alguns pontos, que são fundamentais para se manter vivo durante o jogo. Alguns itens mágicos são disponibilizados para ajudar nestes itens, além de gemas, poções, amuletos, anéis, joias, itens raros e runas.

Não é um jogo prático, fácil, ou que se resolva num final de semana. O jogo é multiplayer e através da internet podemos entrar em salas com outras pessoas para jogar ou criar nossas próprias salas e convidar os amigos. Ainda assim, é um processo lento, demorado, estratégico, onde você precisa fortalecer o seu personagem para que ele consiga avançar na história.

Para quem gosta de jogos que exigem Inteligência e estratégia, vale a pena se arriscar. Atualmente a Blizzard já lançou o Diablo III (devo admitir que prefiro o 2), com gráficos espetaculares e uma nova forma de jogar.

E aí? Partiu matar o Satanás?

 

 

Battlefield V – Lute como uma garota!

Battlefield V – Lute como uma garota!

Não tem como iniciar a primeira semana de Games no Ladies On sem trazer o assunto para o universo feminino, ou, na verdade, para problemas que as mulheres enfrentam no cenário Gamer. Impossível, também, falar de Games em um portal que foi criado para dar voz às mulheres sem comentar sobre a mais recente polêmica neste universo: Battlefield V.

No dia 23 de maio, a EA Games (Eletronic Arts) lançou a capa e trailer do Battlefield V, que contava com uma mulher em primeiro plano, e, de lá pra cá, tem jogador arrancando os cabelos.

Jogadores de todo canto do globo tentaram disfarçar seu machismo com a presença de mulheres jogáveis no Battlefield V com a desculpa de “precisão histórica”, por se tratar de um jogo ambientado na Segunda Guerra Mundial. A precisão histórica era inicialmente uma bandeira levantada pela franquia, no entanto, vários outros ‘desvios’ históricos apareceram em outros jogos da série e não sofreram tanta represália dos fãs. Aliás, no trailer pudemos ver, além de duas personagens femininas – sendo uma com braço protético -, um soldado masculino com rosto pintado de azul e outros com aparência bem modernas, nenhum usando uniforme completo; em momento algum seríamos capazes de adivinhar que seria a Segunda Guerra Mundial, mas os jogadores decidiram que a presença da mulher seria uma afronta à precisão histórica, lançando uma chuva de comentários machistas pelas redes sociais, levantando inclusive a hashtag #NotMyBattlefield pelo twitter.

Sobre a precisão histórica, não vou escrever sobre, pois há inúmeros artigos excelentes pela internet sobre a participação de mulheres que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Pesquisem por Bruxas da Noite (regimento de bombardeiros soviéticos), Lyudmila Pavlichenko, Simone Segouin e Roza Shanina só para ter uma ideia de ALGUMAS mulheres que participaram ativamente da Guerra. A questão quanto a mulheres de front ocidental ou oriental só foi levantada pelos gamers dois dias após o início de todas as reclamações, o que nos leva a acreditar que não é realmente o problema e usaram esses fatos apenas para justificar seu ódio gratuito.

Toda a polêmica do Battlefield V, traz à tona a misoginia presente na sociedade, ainda mais escancarada no universo Gamer. Se o problema real com o jogo fosse a precisão histórica, haveriam outros inúmeros movimentos contrários ao mesmo. Assim como toda a ideia da mecânica multiplayer para um jogo de guerra, que é imprecisa para o período vivido. No entanto, todo esse ódio dos jogadores com a série só apareceu agora, ao termos uma mulher na capa e trailer principal.

O gerente da DICE (EA Digital Illusions CE AB), Oskar Gabrielson, usou sua conta no Twitter para comentar sobre o assunto e mostrar a posição da empresa sobre a polêmica:

“Queremos que o Battlefield V represente todos que fizeram parte do maior drama da história humana e dê aos jogadores a escolha de personalizar os personagens. Nosso compromisso é fazer tudo que pudermos para criar jogos que sejam inclusivos e diversos. Sempre nos propusemos a empurrar limites e entregar experiências inesperadas. Mas, acima de tudo, nossos jogos devem ser divertidos. Queremos que o Battlefield V represente todos que fizeram parte do maior drama da história humana e dê aos jogadores a escolha de personalizar os personagens. Nosso compromisso é fazer tudo que pudermos para criar jogos que sejam inclusivos e diversos. Sempre nos propusemos a empurrar limites e entregar experiências inesperadas. Mas, acima de tudo, nossos jogos devem ser divertidos.”

“O feminismo ganhou”, lamentou-se alguém em uma das mensagens com a hashtag #NotMyBattlefield. Não ganhamos, ainda. Mas seguimos na luta para que temas como este estejam sempre em pauta!

 

 

Jogo é coisa de mulher!

Jogo é coisa de mulher!

Falar que as mulheres estão invadindo o mundo dos games é chover no molhado!

Em pesquisa realizada pela Game Brasil, só em 2016 o público feminino já era responsável por 52,6% dos jogos no Brasil, mesmo que ocasionais.

O crescimento do número de mulheres no mercado gamer deve-se a uma gama de fatores. Enquanto nas décadas de 80 e 90 ficávamos presas a computadores e PCs, hoje temos mais possibilidades de plataformas e uma infinidade de jogos, o que democratiza o uso especialmente entre meninas e mulheres, que passam a ter acesso a diversões que antes ficavam restringidas aos homens.

A evolução no mercado gamer acompanha também a mudança social, com a participação da mulher muito mais efetiva em vários setores da sociedade, com possibilidades de aumento de jogos exclusivos para o público feminino em um futuro próximo, embora as mulheres não precisem de distinção dentro dos jogos, participando, inclusive, de grupos mistos em grandes campeonatos pelo mundo.

Traremos para vocês novidades sobre o mundo gamer e, claro, a participação da mulher nesse vasto universo. Porque jogar é coisa de mulher sim!