Mundo VUCA e os impactos nas lideranças e desenvolvimento

Mundo VUCA e os impactos nas lideranças e desenvolvimento

V.U.C.A. é uma sigla, um acrônimo, que foi criado pela US Army College para definir o ambiente político econômico pós guerra fria. Foi adotado pelas escolas de negócios no final da década de 90, onde define-se o ambiente Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo (em tradução do inglês) em que vivemos hoje.

Mas, como isso impacta o nosso dia a dia e as nossas profissões?

A aceleração é constante e a tecnologia está envolvida nisso. Enraizada em nosso cotidiano, as mudanças estão cada vez mais rápidas exigindo que líderes, empresas e escolas entendam como ela impacta, profissionalmente, o nosso viver.

Hoje não ligamos para pedir comida, o Ifood acelerou esse processo e as empresas entenderam como o WhatsApp poderia ajudar em seu negócio. O Uber facilitou o transporte. O Skype aproximou os mundos e as reuniões, que antes eram feitas pessoalmente, hoje estão a uma tela de distância e podem ser realizadas em qualquer lugar. A inteligência artificial está mais presente, e embora muitos ainda não a percebam, ela está ali nos chat-bots, na ligação automática, na resolução de problema do seu cartão de crédito que antes demandavam horas ao telefone.

Esses são alguns fatores simples que podem nos dizer quanto a nossa vida mudou nos últimos 20 anos. Segundo Ray Kurzweil, os próximos 100 anos trarão o impacto equivalente aos últimos 20.000 anos.

As escolas não escapam dos fatos. Percebe-se que os ensinos profissionais estão capacitando pessoas para daqui 3, 4, 5 anos e pode ser que a profissão nem exista mais ou não tenha relevância alguma para o mercado, já que as ferramentas e teorias que foram utilizadas para formar esses profissionais estarão ultrapassadas nesse novo mundo. O cenário exige mais velocidade e exige que a nossa capacidade de nos adequar ao ambiente em que vivemos seja umas das nossas maiores habilidades.

Já para os líderes, é importante que se atente ao novo formato de liderança e tenha-se mais foco no desenvolvimento vertical do que no horizontal. Ainda há muito investimento em desenvolver líderes com base na aquisição de mais conhecimentos, habilidades e competências, enquanto o mercado necessita de líderes com visões mais profundas e capazes de agir de forma mais estratégica, interdependente, complexa e sistêmica. Ou seja, que possam pensar e agir estrategicamente e não tenham apenas mais um certificado bonito na parede.

Outro ponto é compreender que a liderança não precisa de um “super-herói”, a liderança pode e deve ser coletiva. Há uma transição ocorrendo para que o processo de decisão deixe de residir em uma só pessoa e passe a ser um processo coletivo em que uma rede de pessoas participem da decisão. Assim sendo, as perguntas mudam de “quem são os líderes?” para “quais condições são necessárias para que a decisão ocorra e consiga mobilizar e engajar todos da organização?”

Também não podemos esquecer da inovação e métodos de desenvolvimento e comunicação. Hoje não precisamos estar frente a frente com o sujeito 8 horas por dia, o método de passar cartão e de controle está se tornando obsoleto nesta nova geração que domina o mercado. A criatividade que a contrapõe não reside em quatro paredes e muito menos em horas controladas. Ela reside na confiança, na credibilidade e no engajamento que a sua equipe tem na sua empresa. Não estou dizendo que você deve abrir mão de todos os processos tradicionais, mas que eles devem ser revistos e atualizados conforme a necessidade coletiva o demande.

E como ficam os colaboradores nesta história?

Engana-se quem pensa que só os líderes, empresas e escolas deverão mudar seus métodos. Cada nicho é composto de pessoas, portanto, cada indivíduo deve olhar para si e para o mercado e levar em conta quais pontos devem passar por mudanças e como suas engrenagens deverão funcionar daqui para frente.

Um ponto a se observar é a capacidade de apropriação do seu próprio processo de desenvolvimento, não há mais espaço para sujeitos que acreditam que a empresa ou familiares são responsáveis por sua formação, hoje necessita-se que cada ser humano saia da plateia e torne-se protagonista do seu próprio desenvolvimento e progresso.

Por fim, desenvolver-se continuamente, assumir diferentes desafios, não deixar-se abater pelos obstáculos da vida e identificar problemas para propor soluções pensadas estrategicamente serão as suas mais valiosas habilidades.

E para as empresas e lideranças, é importante deixar o “eu” de lado e pensar no “nós“. Podemos não saber o contexto e quais mudanças abalarão as nossas estruturas, mas é importante se atentar para o agora e preparar-se para o amanhã porque “planos são inúteis, mas o planejamento é imprescindível” (Dwight Einsenhower).

 

Foto: AdamBirkett – Unsplash

 

 

Motivar pessoas: isso é possível?

Motivar pessoas: isso é possível?

Qual a origem da força que impulsiona uma pessoa a levantar da cama cheia de vontade de chegar ao trabalho para desenvolver ações criativas – sem ser vigiada para fazer isso – e vibrar com os excelentes resultados que ela vai conquistar em cada etapa e após a conclusão de projetos memoráveis?

Por que alguns profissionais se empolgam tanto ao realizar uma atividade que muitas vezes chegam a ter dificuldade para interrompê-la? Em contrapartida, o que acontece com outros que não criam vínculo com o trabalho, não se emocionam, estão distantes de qualquer sentimento de satisfação com uma nova descoberta?

Lidar com equipes é seguramente um dos maiores desafios dos gestores, dadas as características que diferem umas pessoas das outras. Daí surge o grande espaço para o desenvolvimento de estudos e de técnicas relacionadas à motivação.  

Na psicologia, correntes se dividem entre aqueles que acreditam que a motivação vem do ambiente externo. Já os chamados cognitivistas consideram impossível uma pessoa ser motivada por outra, uma vez que são os impulsos internos os responsáveis pelas ações humanas. 

Não há como negar que elogios, feedbacks, respeito, estímulo à qualificação, prêmio, aumento salarial, novos desafios e metas contribuem para impulsionar um profissional a buscar bons resultados. Mas, se não houver um sentimento interno para reagir a esses incentivos, nada vai acontecer. Será algo parecido com a tentativa de colocar fogo em água.

Sem força de vontade, curiosidade e empenho verdadeiro, não há técnica motivacional que dê jeito. Já com a presença desses combustíveis poderosos, grandes resultados são gerados, mesmo sem a ajuda de fatores externos. Se ninguém atrapalhar, melhor ainda.

Peço perdão aos gestores adeptos da ideia de que é preciso mimar funcionários para que eles se motivem a trabalhar. E também não me levem a mal os palestrantes de autoajuda que repetem frases como “Você pode realizar o seu sonho”, sem ressaltar que só se realiza sonhos trabalhando bem e arduamente.  E mais do que isso, sem esperar contribuições positivas vindas de fora.

Um profissional incapaz de identificar suas falhas e defeitos tem mais dificuldade para acertar e para aprender com os erros e, assim, minimizá-los. Afinal, a motivação é um sentimento indissociável da satisfação. E acertar mais do que errar contribui muito para chegar a ambos.

Nenhum método motivacional vai surtir efeito em pessoas que tentam enganar o chefe e que se divertem nas redes sociais durante o horário de trabalho ou que não se acham obrigadas a responder aos e-mails e mensagens de quem paga o seu salário. Ou ainda que não se interessam por qualificação visando ao aprimoramento das práticas e que não consideram necessário dar retorno sobre tarefas a elas atribuídas. Esse tipo de comportamento indica que ali dentro daquela mente faltou o tal impulso.

Com os desafios gerados pelas mudanças tecnológicas em velocidade surpreendente, mais do que em qualquer outro tempo é fundamental que as ações das pessoas sejam convergentes para a vontade de realizar. Afinal, temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo, aprender e mudar continuamente e nos encaixar nesse mundo em completa transformação.