Preciso montar uma equipe de Marketing Digital. E agora?

Preciso montar uma equipe de Marketing Digital. E agora?

Começo dizendo, amigo(a), que te compreendo. Nas últimas semanas, comecei a prestar consultoria para um cliente que precisará montar uma equipe para um projeto digital.

Um projeto lindo, com cunho social, mas que precisa de uma equipe que consiga conversar com a empresa, que é bem tradicional, e com o público-alvo do projeto, esse sim presente cada vez mais no ambiente digital.

Daí, além de delinear bem o projeto, preciso pensar em como deve ser essa equipe, que começa com um único profissional alocado, mas que tem o potencial de crescer muito!

Pois bem. Pensando no perfil do primeiro profissional a ser contratado, pensei em vir aqui falar um pouco sobre o que tenho buscado e lido para a montagem desse perfil profissional.

Segundo o relatório Content Trends 2018, da Rock Content, times pequenos de até 5 pessoas são a maioria nas agências e empresas pesquisadas, sendo que:

  • 24,2% das empresas pesquisadas não têm equipe de marketing;
  • 22,1% têm 1 pessoa (basicamente, aquela que se vira nos 30);
  • 36,4% têm um time de 2 a 5 pessoas.

Ou seja, mesmo em um time enxuto, é possível gerar resultados satisfatórios, desde que você entenda como deve ser a composição dessa equipe e qual o foco que deverá dar para suas ações. Para isso, é essencial que você encontre pessoas com o perfil correto para cada fase do crescimento.

Neste post, foco no perfil desse profissional que será o único, ou o primeiro, a tocar uma estratégia de marketing em uma empresa. Mas, também indico leituras para que gestores de times maiores possam ter uma boa base para job descriptions e seleção de profissionais mais especializados. Vamos lá?

 

Ok, tenho um time pequeno. O que devo fazer?

O primeiro passo é entender que um time de 1 ou 2 pessoas não conseguirá entregar os mesmos resultados que um time de 20. Então desapega da vontade de fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora.

Depois, escolha qual será o foco dos seus esforços. Redes Sociais? Blog? E-mail Marketing? WhatsApp? Melhor atuar bem em dois canais do que ser mediano em cinco. Além disso, tal qual a medicina, o marketing digital é composto por tantas especialidades que é literalmente impossível uma pessoa ser fera em todas elas.

Porém, existem algumas características importantes que esse profissional de um time enxuto precisa ter. Como ele precisará lidar em várias frentes, é essencial que ele seja:

  • Proativo e organizado: se sua empresa não tem um gestor ou coordenador, você precisa contratar alguém que seja preparado para executar suas funções sem muita cobrança ou supervisão constante. Isso porque o seu foco deve estar em acompanhar os resultados, e não em verificar se a pessoa está ou não fazendo o que deve fazer.
  • Ter aprendizado autogerenciado: o marketing digital é uma doideira. Todos os dias surgem novas funcionalidades, o que aprendemos no mês passado pode não mais ser relevante hoje. Assim, esse profissional precisa saber onde e como se manter atualizado, ser curioso e antenado, e ter uma sede de aprendizado constante.
  • Alguém que sabe trabalhar em equipe: por mais que talvez ele esteja sozinho no setor, esse profissional precisa saber lidar com pessoas de diferentes áreas, para conseguir obter informações para as ações de marketing, bem como para levar para outros departamentos os feedbacks dos clientes no digital.
  • Alguém que sabe resolver problemas: em uma situação de crise, de alerta ou de dificuldade, esse profissional precisa ser desembaraçado o suficiente para colocar a mão na massa e resolver o problema ou buscar ajuda.
  • Profissional “T-shaped”: o termo, usado pela primeira vez em 1991, significa alguém que é normalmente generalista, mas que se especializa em uma ou duas áreas. Assim, na horizontal, está a abrangência de assuntos que o profissional entende, ou pelo menos consegue conversar sobre. Na vertical, aquelas áreas em que ele realmente domina. Abaixo, segue uma imagem de como seria um profissional T-Shaped em Growth Hacking, retirada deste post.
    Assim, trazendo para uma linguagem mais simples, é legal que essa pessoa, por mais que seja especialista em um assunto, como redes sociais, email ou conteúdo, entenda pelo menos um pouco sobre várias estratégias de marketing.

Por fim, quero deixar aqui a indicação de um livro e dois e-books que ajudam muito na hora de pensar job descriptions, competências e características que esse profissional a ser contratado precisa ter.

  • Como alcançar grandes resultados com pequenos times de marketing.
    Nível: básico
    Por que baixar: Além da explicação básica de como um time de marketing enxuto precisa ser, este e-book indica algumas ferramentas para que este time possa trabalhar, e o case de como a própria Rock Content operava com um time de apenas 3 pessoas.
  • Times de Marketing: como estruturar, contratar e escalar o seu.
    Nível: intermediário
    Por que baixar: O bacana deste e-book é que ele explica como equipes de diferentes tamanhos são formadas, apresenta os papéis essenciais nesses times e ainda traz 18 descrições de vagas para diferentes cargos, como analista de redes sociais, gerente de conteúdo, designer gráfico, especialista em audiovisual e outros.

    – Livro: Gestão por Competências – Ferramentas para atração e captação de talentos humanos
    Autora: Maria Odete Rabaglio
    Por que ler: Porque traz de forma prática metodologias e a descrição do passo a passo para montar e conduzir um processo seletivo, contendo competências e habilidades para a descrição de cargos e funções. O livro traz até mesmo perguntas a serem feitas em processos seletivos para checar se o candidato tem aquela competência específica que buscamos.
Mundo VUCA e os impactos nas lideranças e desenvolvimento

Mundo VUCA e os impactos nas lideranças e desenvolvimento

V.U.C.A. é uma sigla, um acrônimo, que foi criado pela US Army College para definir o ambiente político econômico pós guerra fria. Foi adotado pelas escolas de negócios no final da década de 90, onde define-se o ambiente Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo (em tradução do inglês) em que vivemos hoje.

Mas, como isso impacta o nosso dia a dia e as nossas profissões?

A aceleração é constante e a tecnologia está envolvida nisso. Enraizada em nosso cotidiano, as mudanças estão cada vez mais rápidas exigindo que líderes, empresas e escolas entendam como ela impacta, profissionalmente, o nosso viver.

Hoje não ligamos para pedir comida, o Ifood acelerou esse processo e as empresas entenderam como o WhatsApp poderia ajudar em seu negócio. O Uber facilitou o transporte. O Skype aproximou os mundos e as reuniões, que antes eram feitas pessoalmente, hoje estão a uma tela de distância e podem ser realizadas em qualquer lugar. A inteligência artificial está mais presente, e embora muitos ainda não a percebam, ela está ali nos chat-bots, na ligação automática, na resolução de problema do seu cartão de crédito que antes demandavam horas ao telefone.

Esses são alguns fatores simples que podem nos dizer quanto a nossa vida mudou nos últimos 20 anos. Segundo Ray Kurzweil, os próximos 100 anos trarão o impacto equivalente aos últimos 20.000 anos.

As escolas não escapam dos fatos. Percebe-se que os ensinos profissionais estão capacitando pessoas para daqui 3, 4, 5 anos e pode ser que a profissão nem exista mais ou não tenha relevância alguma para o mercado, já que as ferramentas e teorias que foram utilizadas para formar esses profissionais estarão ultrapassadas nesse novo mundo. O cenário exige mais velocidade e exige que a nossa capacidade de nos adequar ao ambiente em que vivemos seja umas das nossas maiores habilidades.

Já para os líderes, é importante que se atente ao novo formato de liderança e tenha-se mais foco no desenvolvimento vertical do que no horizontal. Ainda há muito investimento em desenvolver líderes com base na aquisição de mais conhecimentos, habilidades e competências, enquanto o mercado necessita de líderes com visões mais profundas e capazes de agir de forma mais estratégica, interdependente, complexa e sistêmica. Ou seja, que possam pensar e agir estrategicamente e não tenham apenas mais um certificado bonito na parede.

Outro ponto é compreender que a liderança não precisa de um “super-herói”, a liderança pode e deve ser coletiva. Há uma transição ocorrendo para que o processo de decisão deixe de residir em uma só pessoa e passe a ser um processo coletivo em que uma rede de pessoas participem da decisão. Assim sendo, as perguntas mudam de “quem são os líderes?” para “quais condições são necessárias para que a decisão ocorra e consiga mobilizar e engajar todos da organização?”

Também não podemos esquecer da inovação e métodos de desenvolvimento e comunicação. Hoje não precisamos estar frente a frente com o sujeito 8 horas por dia, o método de passar cartão e de controle está se tornando obsoleto nesta nova geração que domina o mercado. A criatividade que a contrapõe não reside em quatro paredes e muito menos em horas controladas. Ela reside na confiança, na credibilidade e no engajamento que a sua equipe tem na sua empresa. Não estou dizendo que você deve abrir mão de todos os processos tradicionais, mas que eles devem ser revistos e atualizados conforme a necessidade coletiva o demande.

E como ficam os colaboradores nesta história?

Engana-se quem pensa que só os líderes, empresas e escolas deverão mudar seus métodos. Cada nicho é composto de pessoas, portanto, cada indivíduo deve olhar para si e para o mercado e levar em conta quais pontos devem passar por mudanças e como suas engrenagens deverão funcionar daqui para frente.

Um ponto a se observar é a capacidade de apropriação do seu próprio processo de desenvolvimento, não há mais espaço para sujeitos que acreditam que a empresa ou familiares são responsáveis por sua formação, hoje necessita-se que cada ser humano saia da plateia e torne-se protagonista do seu próprio desenvolvimento e progresso.

Por fim, desenvolver-se continuamente, assumir diferentes desafios, não deixar-se abater pelos obstáculos da vida e identificar problemas para propor soluções pensadas estrategicamente serão as suas mais valiosas habilidades.

E para as empresas e lideranças, é importante deixar o “eu” de lado e pensar no “nós“. Podemos não saber o contexto e quais mudanças abalarão as nossas estruturas, mas é importante se atentar para o agora e preparar-se para o amanhã porque “planos são inúteis, mas o planejamento é imprescindível” (Dwight Einsenhower).

 

Foto: AdamBirkett – Unsplash

 

 

Motivar pessoas: isso é possível?

Motivar pessoas: isso é possível?

Qual a origem da força que impulsiona uma pessoa a levantar da cama cheia de vontade de chegar ao trabalho para desenvolver ações criativas – sem ser vigiada para fazer isso – e vibrar com os excelentes resultados que ela vai conquistar em cada etapa e após a conclusão de projetos memoráveis?

Por que alguns profissionais se empolgam tanto ao realizar uma atividade que muitas vezes chegam a ter dificuldade para interrompê-la? Em contrapartida, o que acontece com outros que não criam vínculo com o trabalho, não se emocionam, estão distantes de qualquer sentimento de satisfação com uma nova descoberta?

Lidar com equipes é seguramente um dos maiores desafios dos gestores, dadas as características que diferem umas pessoas das outras. Daí surge o grande espaço para o desenvolvimento de estudos e de técnicas relacionadas à motivação.  

Na psicologia, correntes se dividem entre aqueles que acreditam que a motivação vem do ambiente externo. Já os chamados cognitivistas consideram impossível uma pessoa ser motivada por outra, uma vez que são os impulsos internos os responsáveis pelas ações humanas. 

Não há como negar que elogios, feedbacks, respeito, estímulo à qualificação, prêmio, aumento salarial, novos desafios e metas contribuem para impulsionar um profissional a buscar bons resultados. Mas, se não houver um sentimento interno para reagir a esses incentivos, nada vai acontecer. Será algo parecido com a tentativa de colocar fogo em água.

Sem força de vontade, curiosidade e empenho verdadeiro, não há técnica motivacional que dê jeito. Já com a presença desses combustíveis poderosos, grandes resultados são gerados, mesmo sem a ajuda de fatores externos. Se ninguém atrapalhar, melhor ainda.

Peço perdão aos gestores adeptos da ideia de que é preciso mimar funcionários para que eles se motivem a trabalhar. E também não me levem a mal os palestrantes de autoajuda que repetem frases como “Você pode realizar o seu sonho”, sem ressaltar que só se realiza sonhos trabalhando bem e arduamente.  E mais do que isso, sem esperar contribuições positivas vindas de fora.

Um profissional incapaz de identificar suas falhas e defeitos tem mais dificuldade para acertar e para aprender com os erros e, assim, minimizá-los. Afinal, a motivação é um sentimento indissociável da satisfação. E acertar mais do que errar contribui muito para chegar a ambos.

Nenhum método motivacional vai surtir efeito em pessoas que tentam enganar o chefe e que se divertem nas redes sociais durante o horário de trabalho ou que não se acham obrigadas a responder aos e-mails e mensagens de quem paga o seu salário. Ou ainda que não se interessam por qualificação visando ao aprimoramento das práticas e que não consideram necessário dar retorno sobre tarefas a elas atribuídas. Esse tipo de comportamento indica que ali dentro daquela mente faltou o tal impulso.

Com os desafios gerados pelas mudanças tecnológicas em velocidade surpreendente, mais do que em qualquer outro tempo é fundamental que as ações das pessoas sejam convergentes para a vontade de realizar. Afinal, temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo, aprender e mudar continuamente e nos encaixar nesse mundo em completa transformação.