No dia das mães, seria bom saber que existe pai que faz

No dia das mães, seria bom saber que existe pai que faz

Pais que assumem a responsabilidade pelos filhos e pela casa podem sempre ter existido ao longo da caminhada feminista. Mas o patriarcado sempre dono da coisa toda, desde tempos remotos até nossos dias, nunca promoveria tal “insulto”.

Resultado: eles são a minoria. Ou pelo menos parecem ser.

Numa tentativa frustrada de compensação, muitos homens usam uma palavra nem um pouco razoável pra dizer que estão presentes. Eles dizem que ajudam em casa. Mas em 2019, um pai dizer que “ajuda” sua companheira, está pedindo pra ser zoado. Ajudar apenas, é pouco.

Anos à favor do empoderamento feminino, deixaram dentre outras, essa lição: mulher não precisa de ajudinha pra lavar a louça. Precisa de parceria emocional, financeira, social. Precisa de quem decide junto, pensa junto, de quem se esforça pra reconhecer o trabalho invisível da ala feminina, de quem quer educar os filhos, abraçar a causa e manter a casa em ordem. Afinal também mora nela.

 

Pai que faz, um passo à frente

Compreendemos com os neurocientistas que para criar um novo hábito é preciso repetir uma atitude muitas vezes, até que ela seja incorporada e torne-se padrão em nossas vidas.

Levada ao pé da letra, essa poderia ser uma tática utilizada pelos pais para assumirem a responsabilidade pelos filhos e pela casa, somando com a companheira.

Porque se a participação masculina na rotina de uma casa, não é de iniciativa própria, então que seja um fator de treinamento. Quem sabe ensina, mas também deixa fazer.

 

Jeitinho próprio dos pais

Eles levam jeito. O jeito deles. Sem intromissão ou descrédito, podem fazer tudo o que as mães fazem. Basta que se abra esse espaço.

Em algum ponto do DNA masculino, tem aquele ensinamento antepassado que os acompanha, e podemos acreditar que está apenas adormecido. Foram avós, mães e tias que sorrateiramente instalaram em seus pequenos, maneiras de viver em comunidade e sobreviver em sociedade.

Homens contemporâneos acompanharam de perto e puderam observar, como se limpa um chão, como se arruma uma cama, como as roupas são lavadas.

Através da atenção da mãe com os irmãos mais novos, puderam perceber como o bebê tomava banho, se alimentava e como se acalmava quando era carregado no colo pelo adulto cuidador.

Portanto, há um poço de conhecimento guardado dentro de cada pai. Deixando a luz do sol bater nessas informações, elas florescem e os pais começam a agir não como as mães, mas como simplesmente eles mesmos.

Com proatividade não há nada que um pai não possa fazer.

 

Lição de casa para eles

Um pai reconhecer que esse lugar onde as mães trabalham sem parar, existe, é o primeiro passo. Depois é mãos à obra, não tem outro jeito. Está liberado pesquisar no Google, perguntar pra mãe(!), trocar muitas ideias com a companhia que escolheu para viver, mas é fazendo que se aprende ser pai, cuidador e dono de casa.

Com a adaptação, eles podem ousar. Levantar a bandeira e mostrar para os amigos, primos, irmãos, que sim, eles dividem a rotina, assumem uma posição à favor das mulheres perante o machismo e isso é uma delícia!

A mensagem das mulheres mães ou não – para eles – pais ou não, está plantada. Aos homens, uma saída feliz e produtiva é a colheita desse legado feminino.

No dia das mães, descobrir que um pai pode ser muito mais do que ele mesmo arrisca saber, dá novo sentido a data. Vê-lo em ação então, seria um verdadeiro presente.

Tudo pode ser construído, mesmo que pareça irrealizável.

Cada uma sabe a dor e a delícia de ser uma mulher

Cada uma sabe a dor e a delícia de ser uma mulher

Coube a mim fazer o texto do LadiesOn para o Dia Internacional da Mulher.

Eu, mãe, empreendedora, dona de casa e “mil e uma utilidades” não soube o que deveria escrever em um projeto que visa dar voz às mulheres que trabalham com comunicação.

E doeu.

Doeu porque a data é para isso mesmo, para doer. Para pensarmos na posição que a mulher ocupa no mundo dos negócios, eu, que já perdi emprego por ser mulher. Para pensarmos sobre a tripla jornada de trabalho, eu, mãe de dois filhos. Para pensarmos sobre a maternidade compulsória, eu, que engravidei na adolescência. Pensarmos sobre as dificuldades de conciliar estudos e afazeres domésticos, eu, que concluí bem tarde a graduação.

Doeu porque, apesar do vivido, eu sou privilegiada por ter rede de apoio, alguma estrutura financeira, marido companheiro, pais presentes, plano de saúde, filhos com a barriga cheia e embaixo de um teto.

A imagem mostra três pessoas sorrindo, da esquerda para a direita, um adolescente de óculos, no centro uma criança pequena, à direita uma mulher.

Alec, Ícaro e eu

Doeu porque, trabalhando com comunicação, ainda há dificuldade em passar conceitos importantes ao público e aos clientes. Feminicídio? Carga mental? Tripla jornada? – “aah, vamos fazer post parabenizando as mulheres.

E ainda dói. Porque, apesar de o LadiesOn ter a missão de reivindicar nosso espaço na comunicação, não conseguimos dar voz a maioria das mulheres da sociedade. Mas podemos levantar a reflexão: o que você faz por nós, no dia a dia, de verdade?

Meu lugar de fala: um retrato sobre o posicionamento da mulher preta no mercado publicitário

Meu lugar de fala: um retrato sobre o posicionamento da mulher preta no mercado publicitário

Muito se fala sobre a participação de pretos no mundo publicitário e, diante do empoderamento e conquistas recentes, podemos perceber que o número de campanhas estreladas por mulheres pretas aumentou consideravelmente. Mas até onde isso vai?

A discussão sobre representatividade no mercado publicitário é recente e, mesmo com os avanços percebidos nos últimos anos, é deficitária. Digo isto porque o Brasil é um país miscigenado, formado em sua maioria por pretos e pardos, mas, quando se trata das propagandas que possuem pretos e pardos como protagonistas, a maioria deles é feita por ‘estrelas’, pessoas públicas.

A mulher preta comum. Eu e você. Quando seremos de fato representadas no mercado publicitário como um todo?

Se formos além do mercado publicitário e olharmos com mais atenção para o mercado de comunicação como um todo, quantas apresentadoras e apresentadores pretos você conhece? Quantos âncoras de jornal? Quantos atores e atrizes que não estão fazendo papel de escravo ou vítimas de racismo?  Quantas celebridades da música estão em evidência no momento em terras tupiniquins e são negros?

Ainda existe um outro “fenômeno” acerca do tema, que são pessoas não pretas falando sobre racismo. Nada impede alguém de se posicionar publicamente contra o racismo, inclusive, pessoalmente acho que a empatia é um dos melhores sentimentos que podemos nutrir na vida.

Mas a empatia não significa que você vai sentir a minha dor: você não vai se sentir impotente, você não vai sentir vergonha, você não vai sentir a humilhação diante das situações de racismo cotidianas neste país. Então, quando forem discorrer sobre o tema, respeitem o lugar de fala das pessoas. Chame um preto, uma preta. Veja como o discurso é carregado daquilo que nós já vivemos todos os dias, quando não somos representados por uma marca ou quando não nos atendem em lojas de alto padrão, por exemplo.

Ainda há muito a se fazer. Diante do cenário atual, onde as pessoas estão perdendo a vergonha de escancarar o seu ódio, ainda temos muito a conquistar. Como mulher, preta, nordestina, publicitária, praticante do candomblé, posso dizer tranquilamente que resistir é arte mais profunda do meu povo. Seremos sempre resistência, até que haja igualdade.

Hiperatividade: cair, levantar e recomeçar o tempo todo

Hiperatividade: cair, levantar e recomeçar o tempo todo

Tem dias que a gente desequilibra, tropeça e cai. Tenta reequilibrar e, para nossa surpresa, caímos novamente. Esse esforço repetitivo, muitas vezes é desanimador.

Com a prática do Yoga, eu aprendi a sempre tentar mais uma vez. Mesmo que eu caísse novamente, mesmo que isso significasse cair com o rosto direto no chão. Afinal, eu sempre fui muito estabanada e desastrada.

Essas duas palavras sempre estiveram presentes nos meus relatos. Em diversas vezes, as usava para justificar algum ocorrido. Como, por exemplo, os inúmeros roxos que aparecem no meu corpo quando estou correndo de um lado para o outro e não vejo que existe um obstáculo à minha frente.

Até pouco tempo atrás eu assumia que sou uma pessoa completamente atrapalhada. Mais que isso, que sou uma pessoa com dificuldades enormes para levar uma vida cotidiana. As marcas de pontos e machucados não me deixam mentir em relação a isso.

Eu simplesmente não consigo ficar parada. Sempre faço várias coisas ao mesmo tempo e, com isso, acabo me comprometendo com mais do que sou humanamente capaz de fazer.

Correr de um compromisso a outro faz parte da minha rotina. Assim como o fato de chegar diversas vezes atrasada ou esquecer aniversários de pessoas muito importantes para mim.

Ainda durante a infância, meu pediatra me diagnosticou como uma criança hiperativa. Ele explicou a minha mãe que ela deveria me ensinar a fazer uma coisa de cada vez.

Ela tentou. Ela sentava ao meu lado para que eu montasse um quebra-cabeça por vez. Também determinava o tempo que eu deveria focar apenas em andar de bicicleta ou que eu deveria assistir os filmes infantis por completo, do início ao fim.

Ainda hoje, acho que minha concentração é um pouco desregulada. Ou estou completamente imersa em algo (geralmente em coisas que gosto muito) ou não consigo prestar atenção nem por um minuto à uma mesma coisa.

Eu falo pelos cotovelos e mudo de um assunto a outro sem parar. Às vezes meto os pés pelas mãos a ponto de ser engraçado. Assim como já fui invadida por uma brutal sensação de frustração comigo mesma. Pelo simples fato de não conseguir me concentrar em uma sequência simples de movimentos na dança.

Ser hiperativa não significa apenas que eu não consiga ficar quieta ou que eu não consiga prestar atenção em algo. O que realmente acontece é que eu tenho a sensação de estar o tempo todo ligada no 220 ou de estar andando em uma montanha-russa sem fim. Por diversas vezes, me perguntei o que havia de errado comigo…

Há dois anos, a prática do Yoga me proporcionou uma paz interior que vem me ajudando a controlar os meus impulsos. Muito além das posturas, respiração e meditação, o Yoga também significou para mim um mergulho no autoconhecimento e na autoaceitação. Hoje, por exemplo, já consigo escutar todas as palavras quando as pessoas falam comigo e não apenas uma de cada dez.

Nem tudo são flores, mas sempre busco encarar a minha inquietude com bom humor. Por enquanto, a sensação de ter encontrado um caminho para me sentir bem comigo mesma não tem preço. E, com isso, também estou aprendendo a perceber algumas coisas boas em relação a ela: com tanta energia circulando em mim, sou uma fonte inesgotável de ideias e, acima de tudo, de sonhos!

4 livros de mulheres incríveis, poderosas e inspiradoras!

4 livros de mulheres incríveis, poderosas e inspiradoras!

Desde a metade de 2017, tenho passado por algumas mudanças de vida que me fizeram buscar por mais inspiração. E viciada em leitura como sou, nada mais natural do que buscar uma boa parte dessa inspiração nos livros de mulheres incríveis, não é?

Por isso venho aqui na semana do #LadiesOFF trazer essas indicações pra você também. Vamos nessa?

Plano B – Como encarar adversidades, desenvolver resiliência e encontrar felicidade

Por Sheryl Sandberg e Adam Grant
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Sheryl Sandberg - Livros de Mulheres Incríveis

Sheryl Sandberg é uma das mulheres mais poderosas da atualidade. Ela é simplesmente a Diretora de Operações do Facebook e é praticamente o braço direito de Mark Zuckerberg. Resumindo, dificilmente o Facebook Inc. seria o que é hoje se a Sheryl não estivesse ali. Inclusive, a foto acima é do TED Talks dela, em que ela questiona o fato de termos pouquíssimas mulheres líderes. Super vale a pena assistir!

Plano B - Sheryl Sandberg - Livros de mulheres incriveisOk, isso foi apenas uma contextualização. Porque neste livro, Sheryl quase não fala do seu trabalho no Facebook – quando faz, é apenas para dizer o quanto teve apoio de sua equipe e de Mark nos seus momentos mais difíceis.

Sheryl conta sua história partindo de uma experiência mega dolorosa: a de encontrar o corpo de seu marido no chão de uma sala de ginástica. Dessa perda, ela abre o coração e descreve a dor e o isolamento com os quais conviveu durante um tempo que parecia não ter fim.

Mas a partir daí, ela e seu coautor Adam Grant passam a mostrar como Sheryl e outras pessoas superaram diversas adversidades, como doenças, perda de emprego, agressão sexual, desastres naturais e violência de guerra.

No fim, o que fica é o ensinamento de que, não importa a dificuldade, nós enquanto seres humanos temos uma incrível capacidade de perseverar, desenvolver compaixão por nós mesmos e pelos outros, educar filhos fortes e redescobrir nossa alegria interior.

 

O ano em que eu disse sim – Como dançar, ficar ao Sol e ser a sua própria pessoa

Por Shonda Rhimes
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Shonda Rhimes - Livros de mulheres incriveis

Se você não está ligando o nome à pessoa, Shonda Rhimes (a segunda na foto acima) é a aclamada criadora e produtora executiva dos sucessos de TV Grey’s Anatomy, Scandal, How to Get Away With Murder e Private Practice. Todos eles, repletos de Fêmeas Alfa, que a gente só consegue descrever como “Mulheres Foda” e ponto final.

Desses sucessos, saíram personagens tão incríveis quanto Meredith Grey, Cristina Yang (responsável pela expressão “você é a minha pessoa”, do subtítulo do livro), Miranda Bailey, Addison Montgomery, Olivia Pope, Annalise Keating, e outras tantas mulheres que me fazem dizer “Go, Girl! Quero ser sua amiga!!”.

Shonda Rhimes - O ano em que eu disse sim - Livros de mulheres incriveisO livro começa com Shonda ouvindo de sua irmã “você nunca diz sim para nada”. Super tímida e introvertida, Shonda decidiu transformar o choque de ter ouvido essas palavras em um ano inteiro de desafio: dizer “sim” para todas as oportunidades que surgiam.

Os “sins” iam desde cuidar melhor de sua saúde até aceitar convites para participar de talk shows e discursos em público. Além disso, Shonda deu um difícil passo: dizer sim ao amor próprio e ao seu empoderamento.

A leitura fica ainda mais gostosa pra quem é fã das séries criadas por ela, claro, por conta das inúmeras referências às personagens e às cenas. Mas, se você nunca assistiu a nenhuma das séries, a leitura também não é prejudicada, e a mensagem principal não se perde. (Mas eu recomendo fortemente que você assista, viu? :D)

Esse é um daqueles livros que definitivamente eu quero ler de novo! Assim como estou recomeçando a assistir Grey’s Anatomy!

 

Me poupe! – 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso

Por Nathalia Arcuri
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Nathalia Arcuri - Livros de mulheres incriveis

É do Brasil-sil-sil!!! Recém-lançado, o livro da criadora do canal Me Poupe, do YouTube, já é best-seller há semanas!

Nathalia Arcuri - Me poupe - Livros de mulheres incriveisA Nath – desculpa, já sou íntima! rs – criou o que já é conhecida como a Primeira Plataforma de Entretenimento Financeiro do Mundo, que já conta com mais de 2 milhões de inscritos no YouTube.

Engraçada, desbocada, dona da porra toda e já milionária aos 32 anos, Nathalia trabalha todos os dias pela, como ela mesma diz, DESFUDÊNCIA nacional! E o livro é mais um projeto para isso!

Além de super divertido, o livro realmente me fez enxergar as coisas de uma forma bem diferente, e melhor!

Ela conta, com muito bom humor e zero tecniquês, sua história de vida, as roubadas em que entrou, as dúvidas que teve, e dá dicas muito maravilhosas sobre como se “desfoder”, economizar e poupar mesmo ganhando pouco, e também investir. Tudo isso sem você ter que deixar de viver as experiências que te fazem feliz.

Também virou um livro de cabeceira. 🙂

 

Girlboss

Por Sophia Amoruso
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Sophia Amoruso - Livros de mulheres incriveis

Talvez você conheça um pouco da história da Sophia Amoruso pela série Girlboss, do Netflix.

Mas PERAÍ! Por mais controversa que a série tenha sido, e você tendo gostado ou não da personagem principal, preciso te lembrar que a série é de ficção – e já deixa claro no começo, ao dizer que é uma adaptação livre – BEM LIVRE – da história real.

Girlboss - Livros de mulheres incriveisSim, Sophia Amoruso é uma mulher bastante controversa. Passou a adolescência e o começo dos vinte e poucos anos vivendo uma rebeldia sem causa, totalmente sem rumo. Até que totalmente sem grana e quase sendo despejada do aluguel, decidiu vender uma jaqueta que tinha comprado no site eBay.

Quando viu que a jaqueta tinha sido vendida por um valor muito superior ao que ela havia pago, teve o estalo de então reformar e vender aqueles achados incríveis de brechó na web. Oito anos depois, a NastyGal já era uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares, com mais de 300 funcionários.

A NastyGal decretou falência em 2017 e foi vendida, mas na boa? Pro primeiro negócio que essa mulher criou, ela foi bem longe!! Então sim, é uma história que vale a pena ser lida! 🙂

Além da história de Sophia, o livro cobre vários outros assuntos e prova que o sucesso não tem tanto a ver com sua popularidade, e sim com confiar nos seus instintos e seguir a sua intuição.

Ah, a marca #Girlboss virou uma plataforma de conteúdo, e os emails que a Sophia envia são ótimos para reflexão e autoestima também. 🙂

5 coisas que aprendi fazendo mochilão

5 coisas que aprendi fazendo mochilão

Durante minha infância eu costumava imaginar que aos vinte e poucos anos eu já estaria realizada profissionalmente e caminhando em direção ao “felizes para sempre” na vida amorosa. Mas, na realidade, me sentia confusa e frustrada.

Depois que de uma série de erros, desacertos e o fim de um relacionamento complicado, me deparei com uma crise de identidade e a conclusão de que não tinha a menor ideia do que estava fazendo com a minha vida.

Sem um plano B, estava diante de uma série de prioridades abandonadas e possibilidades mal trabalhadas. Eu resolvi arrumar a mochila e viajar para caminhar pelo desconhecido. Mesmo que, no fundo, esse desconhecido fosse eu.

Olhando para trás, vejo o quanto aquela menina, que colocou uma mochila nas costas, cresceu e amadureceu. A vida não é uma linha reta, cada um tem o dever de buscar o seu caminho e encontrar sentido para ela! Quando saímos da nossa zona de conforto, aprendemos com o processo e tendemos a voltar com a cabeça diferente.

Reuni nesse texto 5 coisas que aprendi fazendo mochilão e que espero levar para a vida:

  1. O mundo é muito maior do que os nossos problemas

Parece um pouco óbvio, mas as vezes a gente esquece que o mundo é muito maior do que o nosso umbigo. Só quando a gente sai do nosso lugar -comum é que nos damos conta da quantidade de culturas, línguas, modos de vida, visões de vida, problemas e dádivas existem.

  1. Quanto mais leve, melhor

Essa reflexão vale para a vida e para a mochila. Quando a gente coloca uma mochila nas costas, descobre que quanto mais leve, melhor. Em uma viagem com muito deslocamento e percursos de transporte público e a pé, muita bagagem se torna um fardo. A cada escada, parada de ônibus ou catraca de metrô você só aumenta a certeza de que parte daquele peso poderia ter ficado para trás.

  1. Qualidade é mais importante do que quantidade

Quando você começa os planos para viajar é muito tentador a quantidade de possibilidades, são tantos lugares para conhecer e tantas coisas para fazer. Por mais que a gente acredite que possa otimizar o tempo, nem sempre é possível. Além dos imprevistos e questões de logística que não estão ao nosso alcance, é muito importante manter o foco no presente para aproveitar o momento. Não adianta passar 20 dias viajando por 10 países, se a maior parte do tempo você gastou com deslocamentos.

  1. Esteja disponível para as surpresas do caminho

Estude o destino, organize o roteiro, calcule o tempo de deslocamento e rotas alternativas para otimizar o tempo. Mas isso não significa que é preciso ficar preso ao planejamento inicial. Já estendi a estadia por mais dias por ter me encantado com um lugar, assim como já deixei de visitar um lugar que todos diziam ser fundamental para assistir ao pôr-do-sol. Durante as minhas viagens, os momentos mais marcantes são frutos de pequenas surpresas que mudaram o roteiro completamente.

  1. Ir é tão importante quanto voltar

É engraçado como fico planejando novas viagens o tempo todo, mas amo o conforto do lar. Por muito tempo, tive pavor da rotina. Mas aprendi a apreciar a minha, principalmente, a da manhã: acordar cedo, treinar, degustar o café da manhã assistindo ao noticiário e ir para o trabalho. Viajar é maravilhoso (e viciante), mas nada me traz mais prazer do que voltar para casa!