Meu lugar de fala: um retrato sobre o posicionamento da mulher preta no mercado publicitário

Meu lugar de fala: um retrato sobre o posicionamento da mulher preta no mercado publicitário

Muito se fala sobre a participação de pretos no mundo publicitário e, diante do empoderamento e conquistas recentes, podemos perceber que o número de campanhas estreladas por mulheres pretas aumentou consideravelmente. Mas até onde isso vai?

A discussão sobre representatividade no mercado publicitário é recente e, mesmo com os avanços percebidos nos últimos anos, é deficitária. Digo isto porque o Brasil é um país miscigenado, formado em sua maioria por pretos e pardos, mas, quando se trata das propagandas que possuem pretos e pardos como protagonistas, a maioria deles é feita por ‘estrelas’, pessoas públicas.

A mulher preta comum. Eu e você. Quando seremos de fato representadas no mercado publicitário como um todo?

Se formos além do mercado publicitário e olharmos com mais atenção para o mercado de comunicação como um todo, quantas apresentadoras e apresentadores pretos você conhece? Quantos âncoras de jornal? Quantos atores e atrizes que não estão fazendo papel de escravo ou vítimas de racismo?  Quantas celebridades da música estão em evidência no momento em terras tupiniquins e são negros?

Ainda existe um outro “fenômeno” acerca do tema, que são pessoas não pretas falando sobre racismo. Nada impede alguém de se posicionar publicamente contra o racismo, inclusive, pessoalmente acho que a empatia é um dos melhores sentimentos que podemos nutrir na vida.

Mas a empatia não significa que você vai sentir a minha dor: você não vai se sentir impotente, você não vai sentir vergonha, você não vai sentir a humilhação diante das situações de racismo cotidianas neste país. Então, quando forem discorrer sobre o tema, respeitem o lugar de fala das pessoas. Chame um preto, uma preta. Veja como o discurso é carregado daquilo que nós já vivemos todos os dias, quando não somos representados por uma marca ou quando não nos atendem em lojas de alto padrão, por exemplo.

Ainda há muito a se fazer. Diante do cenário atual, onde as pessoas estão perdendo a vergonha de escancarar o seu ódio, ainda temos muito a conquistar. Como mulher, preta, nordestina, publicitária, praticante do candomblé, posso dizer tranquilamente que resistir é arte mais profunda do meu povo. Seremos sempre resistência, até que haja igualdade.

Como o Diablo entrou na minha vida.

Como o Diablo entrou na minha vida.

Nunca fui uma criança de brincadeiras internas. Sim, sempre gostei de vídeo games, inclusive ganhei o primeiro de minha mãe, uma apaixonada por jogos de luta. O Super Nintendo fez parte da minha infância com jogos como Super Mario World, Mortal Kombat, Fifa SuperStar Soccer e SimCity – este último jogo até os dias atuais. Ainda assim, existia um balanço entre brincadeiras eletrônicas e as de rua, onde eu preferia estar.

Os anos passaram, mudanças ocorreram, e, com 14 anos me vi morando em outra cidade, estudando em outro colégio, onde eu não conhecia ninguém. Estava no primeiro ano do ensino médio, e a rebeldia já tomava conta de mim. Nos intervalos do dia de aula, eu sorrateiramente fugia do colégio e ia para uma lan house, jogar Counter-Strike, o famoso CS. Até que em um dia qualquer, sentei numa máquina que tinha em sua área de trabalho um jogo chamado Diablo II.

Cliquei para conhecer, e vi que Diablo II – Lord of Destruction, era o tipo de jogo para mim. Longo, cheio de atos, magia e com uma história que precisava ser compreendida para facilitar a sua jogabilidade. Criei a personagem que me acompanharia por todos esses anos. A feiticeira Lara.
No Diablo 2 – LoD, temos a disposição sete personagens para escolha, dois personagens femininos. A assassina e a feiticeira. No mundo dos jogadores, a feiticeira é tida como a personagem mais fraca. Mas, admito que me identifiquei com ela desde o começo e, pasmem, em todos estes anos, nunca joguei com outro personagem.

A história do jogo diz respeito a sede de vingança de Diablo (sim, ele próprio, o tinhoso), que derrotado na primeira versão do jogo, tenta conquistar a alma do herói que o derrotou. Nesse jogo, o cão, que recebe o título de Senhor do Medo, ainda conta com a ajuda dos parentes – Mephisto, o Senhor do Ódio, seu irmão mais velho e Baal, O Senhor da Destruição, o irmão mais novo. O herói (neste caso, o jogador) precisará passar por estes e outros ‘bichinhos’.

A história do jogo é enorme, e resumidamente, ele é formado por três níveis de dificuldade, cada um com cinco atos. E, para ‘zerar’ este jogo, você deverá chegar ao último nível de dificuldade e matar Baal, no último ato. Como qualquer jogo com base no RPG, você precisa de energia, mana, pontos para força, vida, destreza, defesa e outros. Os itens que compõe o seu armamento e vestuário também carregam alguns pontos, que são fundamentais para se manter vivo durante o jogo. Alguns itens mágicos são disponibilizados para ajudar nestes itens, além de gemas, poções, amuletos, anéis, joias, itens raros e runas.

Não é um jogo prático, fácil, ou que se resolva num final de semana. O jogo é multiplayer e através da internet podemos entrar em salas com outras pessoas para jogar ou criar nossas próprias salas e convidar os amigos. Ainda assim, é um processo lento, demorado, estratégico, onde você precisa fortalecer o seu personagem para que ele consiga avançar na história.

Para quem gosta de jogos que exigem Inteligência e estratégia, vale a pena se arriscar. Atualmente a Blizzard já lançou o Diablo III (devo admitir que prefiro o 2), com gráficos espetaculares e uma nova forma de jogar.

E aí? Partiu matar o Satanás?

 

 

Planejamento tem cura?

Planejamento tem cura?

Quando nos acostumamos a lidar com um volume grande de informações, o processo natural nos leva ao planejamento. A mente humana é falha. É normal esquecermos de coisas que certamente seriam importantes e relevantes para executarmos a tarefa que precisamos executar e eliminar aquela grande chance de ‘dar merda’, que nos acompanha a todo momento.

Iniciei minha carreira em uma área que, naquele momento, não tinha tanta relação com o marketing digital. Era produtora executiva de uma banda, e detalhes como shows, eventos, gravações de cd’s e dvd’s, turnês internacionais e afins, sempre fizeram parte de maneira muito próxima da minha realidade. Dos localizadores das passagens, ao despacho de equipamentos, aos detalhes de contrato dos envolvidos em turnês, se não houvesse o planejamento em minha vida, certamente tudo teria sido mais difícil.

No momento em que deixei de atuar como profissional de eventos e voltei a dar atenção a minha área de formação, vi que havia muito mais semelhanças que diferenças. O planejamento é essencial a comunicação, principalmente àqueles que, como eu, criam conteúdo. A disciplina que precisa existir para que o conteúdo criado seja clicável e compartilhável é fundamental para que nós evitemos a repetição, principalmente quando atendemos mais de um cliente ao mesmo tempo – o que, vamos combinar, é a realidade né?

Como todo processo em comunicação, temos as etapas básicas que são comuns a todas as contas, como a definição de objetivos e determinar o público alvo, por exemplo. Considero estas duas etapas como as mais importantes no processo de planejamento. E, não se assustem, os clientes muitas vezes não tem a menor ideia dos objetivos das campanhas e, por vezes, não conhecem o público alvo. É incontável o número de vezes que tive que repetir o mantra “não pense na rede social como você quer ver, e sim como o seu público”. Não importa o que eu gosto de ver, importa o que o usuário vai ver. Você ainda pode definir diferentes comunicações para vários tipos de usuário, como o influenciador ou consumidor final, ainda assim, a comunicação tem que ser pensada para cada público em específico.

Depois disto, você vai definir onde publicar – até porque o conteúdo é específico para cada rede – e, a partir daí, pensar no conteúdo. Óbvio que existem outras etapas, que diferem entre cada profissional. Na minha vida, de atender diversas contas, algumas delas com uma demanda muito alta de publicações em várias redes, eu preciso ser um pouco ágil nesse processo. Na “vida real” em um ambiente de agência, você não terá chance de realizar um brainstorming cada vez que uma demanda chegar. É só você e você mesmo. E aquele ‘fura-pauta’ é a realidade nossa de cada dia, lamento informar.

Minha dica é: use e abuse dos recursos disponíveis para facilitar este processo. Por muitas vezes o planejamento é anual e para que você consiga executar, precisa reduzir para planejamentos mensais e semanais. Então, planilhas, Trello, Evernote, Google Agenda, ferramentas para avaliar páginas e perfis existentes e tudo mais que esteja ao seu alcance, deve ser utilizado para que você tenha um planejamento macro bem feito. E, a dica principal: nem tudo é perfeito e os melhores planejamentos do mundo podem não sair do jeitinho que você pensou. Tenha isso em mente para ser flexível a possíveis mudanças.

Nesse mundão de tio Mark, tudo depende do bom humor dele, não é? #pas